Prof. Sérgio Costa

Sem Máscaras: A Coragem de Ser Real.

Resumo:

Neste artigo, refletimos sobre a importância de abandonar as máscaras que construímos para agradar e sobreviver emocionalmente. Encarar a vida de forma autêntica exige coragem, aceitação das próprias imperfeições e disposição para enfrentar o medo da rejeição. Embora a perda das ilusões possa ser dolorosa, ela abre o caminho para uma existência mais livre, verdadeira e conectada com quem realmente somos. Ser real não é apenas um desafio, mas a verdadeira conquista de uma vida com propósito.


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Artigo:

Desde a infância, aprendemos a vestir máscaras. Criamos versões de nós mesmos para atender às expectativas da família, dos amigos, da sociedade. A cada adaptação, uma pequena parte da nossa essência fica para trás. A máscara parece, inicialmente, um escudo necessário para sermos aceitos, mas, com o tempo, se transforma em uma prisão invisível.
Surge então o momento crucial: quando o peso dessas máscaras se torna insuportável e percebemos que não podemos mais sustentar uma versão falsa de nós mesmos. É nesse instante que nasce a verdadeira coragem: a coragem de ser real.

Deixar as máscaras para trás é doloroso. Elas nos protegeram por muito tempo, evitaram conflitos, amorteceram rejeições, nos deram um lugar social. Perdê-las significa perder, também, as ilusões de controle e perfeição que tanto tentamos manter. Encarar a vida sem máscaras nos coloca frente a frente com nossas vulnerabilidades — e também com nossa força genuína.

Instituições reconhecidas, como a IPA (International Psychoanalytical Association), reforçam a importância da busca pela autenticidade como parte do amadurecimento psíquico saudável. A verdadeira força emocional nasce da capacidade de reconhecer e integrar nossas fragilidades, em vez de escondê-las.

Ser real é aceitar que somos imperfeitos, que sentimos medo, raiva, tristeza, ciúmes e desejos fora dos padrões idealizados. A autenticidade não exige perfeição; exige apenas verdade. E a verdade, embora muitas vezes desconfortável, é o único solo em que podemos construir uma vida realmente significativa.

Esse processo de desnudar-se é, antes de tudo, interno. Não se trata de expor tudo a todos, mas de ser honesto consigo mesmo. Reconhecer onde fingimos ser o que não somos, onde seguimos roteiros que não nos pertencem, onde calamos nossas vontades para nos encaixar. Sem essa honestidade, a máscara nunca cai de verdade — apenas troca de forma.

Um dos maiores obstáculos para viver sem máscaras é o medo da rejeição. Nem todos aceitarão quem somos de verdade. Algumas relações se romperão, alguns espaços se fecharão. Mas, paradoxalmente, é apenas sendo autênticos que abrimos espaço para relações mais profundas, para encontros que nutrem e fortalecem. O amor verdadeiro só floresce onde há verdade.

Referências como a APA (Asociación Psicoanalítica Argentina) também destacam, em seus estudos clínicos, como o sofrimento psíquico muitas vezes se intensifica justamente pela negação de si mesmo em prol de aceitação externa. A máscara nos protege da dor momentânea, mas gera uma angústia crônica.

Outra armadilha é o autoengano: aquela voz interna que insiste que está tudo bem, que somos felizes assim, que a mudança é arriscada demais. Enfrentar essa voz requer coragem. Requer a disposição de admitir que, talvez, estejamos acomodados na dor conhecida apenas por medo do desconhecido.

É importante saber que a coragem de ser real não é algo que conquistamos de uma vez por todas. É um exercício diário. Alguns dias estaremos mais conectados à nossa essência; em outros, o velho hábito de vestir máscaras pode nos tentar. Mas, uma vez despertos, passamos a reconhecer esses momentos e temos a chance de escolher de novo: entre o conforto da máscara ou a liberdade da verdade.

Viver sem máscaras é viver de forma imperfeita, mas inteira. É rir com o coração aberto, chorar sem vergonha, amar sem jogos, sonhar sem limites. É permitir que o mundo veja quem somos, com nossas luzes e sombras, confiando que a nossa verdadeira essência é suficiente.

Organismos globais como a UNESCO vêm enfatizando, em suas campanhas sobre saúde mental, a importância do bem-estar emocional através da autenticidade e do respeito à diversidade das identidades humanas. Ser real, portanto, não é apenas uma conquista individual: é também uma contribuição para um mundo mais humano e consciente.

Quando abandonamos as ilusões e aceitamos a vida como ela é — imprevisível, imperfeita e maravilhosa em sua complexidade — nos libertamos. Paramos de sobreviver e começamos, enfim, a viver.

A verdadeira coragem não está em vencer todas as batalhas, mas em ter a ousadia de ser quem somos, apesar de tudo. Sem máscaras. Com verdade. Com alma.


Escrito por Prof. Sérgio Costa
NEPP – Núcleo de Estudos em Psicanálise e Psicanálise Empresarial


Sobre o autor:

Prof. Sérgio Costa é psicanalista, professor e fundador do NEPP – Núcleo de Estudos em Psicanálise e Psicanálise Empresarial. Com vasta experiência na formação de profissionais e na aplicação da psicanálise no ambiente corporativo, dedica sua trajetória a promover a saúde mental, a autenticidade e o desenvolvimento humano. Atua também como palestrante e mentor em projetos voltados à superação do sofrimento psíquico e ao fortalecimento emocional.

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